O "Livro de Aço - Heróis e Heroínas do Brasil" é uma obra que reúne o nome de brasileiros e brasileiras ilustres, considerados heróis e heroínas por suas contribuições significativas para o país.

Candidato a Herói da Pátria

Livro de Aço
Livro de Aço
Livro de Aço

Ariano Vilar Suassuna

Ariano Suassuna


(1927-2014)


Intelectual, escritor, filósofo, dramaturgo, professor, romancista, artista plástico, ensaísta, poeta, político e advogado brasileiro


Após conhecer a história desse Candidato a Herói da Pátria, não perca a oportunidade de visitar Símbolos Municipais e conhecer o brasão, a bandeira e o hino dos 5.571 munícipios brasileiros.



O conceito de herói, gestado na mitologia da Grécia Antiga, revela que
tal figura habita o imaginário popular a partir de feitos grandiosos que o elevam
a uma estatura extraordinária. Essa distinção abrange os mais diversos
segmentos: de acontecimentos históricos e lutas populares à defesa da
soberania nacional e à promoção da cultura e das tradições de um povo.
Partindo dessa premissa, destaca-se a figura de um paraibano que
transfigurou a dura realidade do Nordeste brasileiro em algo sublime e
universal. Mais do que contar histórias, Ariano Suassuna provou, com seu
talento genial, que o Brasil profundo é o alicerce fundamental da nossa
construção como nação.

Nascido em João Pessoa, em 16 de junho de 1927, Ariano Vilar
Suassuna foi muitos em si mesmo: escritor, dramaturgo, professor, romancista,
artista plástico, ensaísta, filósofo, poeta, político e advogado. Tamanha
versatilidade explica, em parte, seu intelecto efervescente e sua capacidade de
dialogar com todas as esferas do saber humano.

Sua trajetória foi precocemente marcada pela tragédia do falecimento
de seu pai, o ex-governador João Suassuna, em 1930. Contudo, foi no Recife,
para onde se mudou na juventude, que consolidou sua base intelectual. Na
capital pernambucana, frequentou o tradicional Ginásio Pernambucano e uniuse a Hermilo Borba Filho para fundar o Teatro de Estudantes de Pernambuco
em 1946.

A partir de então, a carreira de Suassuna tornou-se meteórica. Mesmo
dividindo-se entre a advocacia e a docência, jamais abandonou a arte. Era um
"refém das palavras", alguém que não media hora nem lugar para capturar uma
ideia e transformá-la em obra imperecível.

Tentar elencar suas obras mais importantes é um desafio gigante, dada
a vastidão de sua produção. No entanto, é no coração do povo que residem
João Grilo e Chicó, personagens de O Auto da Compadecida (1955) que se
tornaram arquétipos da astúcia nordestina e brasileira.

A expressão "Não sei, só sei que foi assim" transpôs as páginas do
livro e as telas do cinema para se tornar um bordão quase que cotidiano. Da
mesma forma, a figura da Compadecida — tão magistralmente interpretada por
Fernanda Montenegro no cinema — humanizou o sagrado, apresentando uma
mãe repleta de compaixão e ternura, símbolo de esperança para a cristandade
e para o povo sofrido.

É imperativo destacar também o monumental Romance d’A Pedra do
Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta (1971). A obra extrapolou a
literatura para ganhar forma concreta em São José do Belmonte, no sertão
pernambucano, onde Ariano erigiu um santuário ao ar livre com 16 esculturas
de pedra que representam o sagrado e o profano. O local é hoje palco da
tradicional Cavalgada à Pedra do Reino, celebrada anualmente no mês de
maio.

Exímio defensor da identidade nacional, Ariano foi o mentor do
Movimento Armorial, fundado em 1970. O movimento arregimentou intelectuais
e artistas para criar uma arte erudita a partir das raízes populares. Uniu a
academia, a música, as artes plásticas e, como se diz no Nordeste, uma "ruma" de mentes brilhantes que compreenderam que o Brasil precisava olhar para si
mesmo, e olhar com orgulho.

As honrarias que recebeu foram inúmeras, mas a eleição para a
Academia Brasileira de Letras, em 3 de agosto de 1989, ocupa lugar de
destaque. Como sexto ocupante da Cadeira nº 32, Ariano tornou-se
oficialmente um "imortal", contribuindo para que a cultura regional fosse
reconhecida em um país de dimensões continentais.

Na esfera pública, emprestou seu prestígio para a construção de
políticas sociais e culturais transformadoras. Foi Secretário de Educação e
Cultura do Recife (1975–1978), Secretário Estadual de Cultura de Pernambuco
durante o governo de Miguel Arraes (1994–1998) e, posteriormente, Secretário
Especial e Assessor Especial nas gestões de Eduardo Campos (2007–2014).
Em 2011, foi nomeado presidente de honra do Partido Socialista Brasileiro
(PSB).

Em 23 de julho de 2014, o "realista esperançoso" — como ele próprio
se definia — partiu. Contudo, homens da estatura de Ariano Suassuna não
desaparecem; tornam-se memória viva. Em 2027, celebraremos o centenário
de seu nascimento.

Ariano Vilar Suassuna é candidato a Herói da Pátria Brasileira, conforme o Projeto de Lei 2.472/2026, que propõe a inclusão de seu nome no "Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria", também conhecido como "Livro de Aço". Esse livro está localizado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, Distrito Federal, e tem como objetivo homenagear brasileiros e brasileiras que contribuíram de forma notável para a história do país.

  • Autoria: Deputada Maria Arraes
  • Ementa: Inscreve o nome de Ariano Vilar Suassuna no Livro dos Heróis da Pátria.


Registro atualizado em 21/05/2026 23:19, visualizado 27 vezes.