O "Livro de Aço - Heróis e Heroínas do Brasil" é uma obra que reúne o nome de brasileiros e brasileiras ilustres, considerados heróis e heroínas por suas contribuições significativas para o país.

Hélio Pellegrino é indicado para inscrição no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria

O psicanalista, escritor e poeta mineiro Hélio Pellegrino é candidato a Herói da Pátria Brasileira, conforme o Projeto de Lei nº 5.136/2026, que propõe a inscrição de seu nome no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, também conhecido como Livro de Aço.

Nascido em Belo Horizonte, em 5 de janeiro de 1924, e falecido no Rio de Janeiro, em 23 de março de 1988, Pellegrino foi um intelectual de atuação múltipla. Médico de formação, destacou-se na psicanálise, na literatura, no jornalismo e na vida política brasileira. Sua trajetória foi marcada pela defesa da liberdade, da democracia e dos direitos humanos.

Desde a juventude, Hélio Pellegrino participou ativamente da vida política e cultural do país. Ao lado de Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Otto Lara Resende, integrou o grupo de escritores conhecido como “Os quatro mineiros”. Começou a escrever poesia ainda jovem e, posteriormente, tornou-se colaborador de importantes jornais e revistas, produzindo textos sobre literatura, política, religião, cultura e psicanálise.

Uma vida dedicada à psicanálise e à transformação social

Na psicanálise, Hélio Pellegrino construiu uma atuação que ultrapassava os limites do consultório. Para ele, a prática psicanalítica deveria estar relacionada à liberdade, à dignidade humana e à compreensão das condições sociais que afetam a vida dos indivíduos.

Em 1973, fundou, no Rio de Janeiro, a Clínica Social de Psicanálise, iniciativa que buscava ampliar o acesso ao atendimento psicanalítico para pessoas que não tinham condições de arcar com os custos tradicionais desse tipo de tratamento.

Sua concepção de psicanálise era profundamente crítica às estruturas autoritárias. Estudos sobre seu legado destacam a maneira como Pellegrino articulou clínica, política, cultura e compromisso ético, defendendo uma atuação profissional comprometida com a transformação social.

A resistência à ditadura militar

Foi durante o período da ditadura militar que a atuação pública de Hélio Pellegrino ganhou uma dimensão ainda maior.

Intelectual de posições democráticas e crítico do autoritarismo, participou de manifestações contra o regime e utilizou sua voz pública para denunciar a repressão e a violência política. Sua atuação durante os anos de chumbo resultou em perseguição e prisão pelo regime militar.

Pellegrino também enfrentou questões extremamente delicadas dentro do próprio campo da psicanálise. Tornou-se uma das vozes que denunciaram a participação de profissionais ligados à tortura de presos políticos, defendendo que instituições e profissionais não poderiam permanecer em silêncio diante de violações de direitos humanos.

Sua resistência não foi apenas política. Foi também intelectual, ética e cultural. Hélio Pellegrino entendia que pensar, escrever e falar publicamente eram formas de enfrentar o autoritarismo e preservar a liberdade.

Escritor, poeta e intelectual público

A literatura esteve presente durante toda a vida de Hélio Pellegrino. Sua produção poética começou na adolescência e posteriormente foi reunida em obras como Poema do príncipe exilado e, postumamente, Minérios domados. Também publicou crônicas, ensaios e artigos que demonstravam sua capacidade de transitar entre diferentes campos do conhecimento.

Sua produção intelectual aproximava psicanálise, literatura, filosofia, política e questões sociais. Essa característica fez de Pellegrino uma presença singular no debate público brasileiro do século XX.

Seu legado continua sendo estudado e revisitado. Em 2024, no centenário de seu nascimento, diferentes iniciativas destacaram sua importância para a história da psicanálise, da literatura e da resistência democrática no Brasil.

Um legado de coragem e liberdade

Hélio Pellegrino foi um intelectual que não separou conhecimento de responsabilidade. Médico, psicanalista, escritor e poeta, colocou sua atuação pública a serviço da defesa da liberdade e da dignidade humana.

Sua trajetória representa a de um brasileiro que enfrentou um dos períodos mais difíceis da história recente do país sem abandonar suas convicções. Sua participação na resistência à ditadura, sua defesa dos direitos humanos, sua contribuição para a psicanálise e sua produção literária fazem parte de um legado que permanece relevante para compreender a história cultural e política brasileira.

É nesse contexto que se insere a indicação de seu nome para o Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.

O Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, conhecido como Livro de Aço, está localizado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, Distrito Federal.

A proposta de inscrição de Hélio Pellegrino busca reconhecer uma trajetória construída por meio da psicanálise, da literatura, da poesia e, sobretudo, do compromisso público com a democracia e contra o autoritarismo.

Hélio Pellegrino permanece como símbolo de uma intelectualidade que não se calou diante da opressão e que compreendeu a liberdade como um compromisso permanente com o ser humano.