O "Livro de Aço - Heróis e Heroínas do Brasil" é uma obra que reúne o nome de brasileiros e brasileiras ilustres, considerados heróis e heroínas por suas contribuições significativas para o país.

Candidata a Heroína da Pátria

Livro de Aço
Livro de Aço
Livro de Aço

Carolina Maria de Jesus

Carolina de Jesus Bitita


(1914-1977)


Escritora, cantora, compositora e poetisa


Após conhecer a história desse Candidata a Heroína da Pátria, não perca a oportunidade de visitar Símbolos Municipais e conhecer o brasão, a bandeira e o hino dos 5.571 munícipios brasileiros.



Referência negra na literatura brasileira, é reconhecida por sua obra “Quarto de despejo: diário de uma favelada”, publicada pela primeira vez em 1960. A autora refletia e contava sobre o seu dia-a-dia, a partir dos desafios da maternidade negra, das estratégias e improvisos para a superação da fome e da falta de dinheiro, e sobre a complexidade do trabalho como catadora de lixo nas ruas da cidade de São Paulo, bem como a invisibilidade da sua condição até a descoberta da sua vasta produção literária.

Na interpretação dos desafios do Brasil, destacou que: “O Brasil precisa ser dirigido por uma pessoa que já passou fome. A fome também é professora”, e que “O que eu aviso aos pretendentes a política, é que o povo não tolera a fome. É preciso conhecer a fome para saber descrevê-la.”, e foi isso que fez brilhantemente, atualizou o país de seus desafios a partir de sua própria história.

Carolina Maria de Jesus, nasceu no interior de Minas Gerais, em 1914, na cidade de Sacramento, viveu boa parte de sua vida na Zona Norte de São Paulo, na favela do Canindé. Foi mãe solo, com pouca escolaridade, tendo estudado até o segundo ano do fundamental. Foi lavradora e empregada doméstica, e depois trabalhou como catadora de papel. Ainda assim, foi uma das mais importantes escritoras brasileiras do século XX, dispondo de tradução da sua obra principal “Quarto de Despejo”, em 14 línguas, com uma tiragem inicial de 10 mil exemplares esgotados em uma semana, com a obra vendendo mais de 1 milhão de exemplares. Carolina morreria em 1977, aos 62 anos, deixando, inclusive, obras póstumas como o Diário de Bitita (1986), Antologia Pessoal (1996) e Meu Estranho Diário (1996), além destes, publicou em vida: A Casa de Alvenaria, Provérbios e Pedaços da Fome, ambos de 1963.

Reconhecida por sua escrita que denunciava as mazelas da favela - a qual chamou de “quarto de despejo” da cidade - tornou-se uma das mais importantes e celebradas vozes negras na literatura nacional, com adaptação da sua obra para o teatro e televisão. Em razão do sucesso de Quarto de Despejo, se tornou best-seller obtendo até mesmo projeção
internacional.

Em 2021, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu a Carolina o título de Doutora Honoris Causa, uma homenagem póstuma que reconhece as contribuições e o destaque das suas produções entre as escritoras nacionais, principalmente, alargando o reconhecimento de “Bitita” - apelido da autora - no cenário intelectual, artístico e literário brasileiro. Outro evento que resgatou a necessidade de honrar a história de Carolina, reunindo suas múltiplas facetas e aptidões, foi a exposição “Carolina Maria de Jesus: Um Brasil para os brasileiros”, apresentada no IMS São Paulo, no período de setembro de 2021 a abril de 2022.

A importância do legado de Carolina Maria de Jesus transcende as fronteiras da literatura e se estende à formação de uma consciência crítica sobre a realidade brasileira, bem como à valorização da diversidade cultural e social que compõem a realidade do povo brasileiro. Sua obra tem um impacto positivo na construção da identidade nacional e no enfrentamento das desigualdades, de modo que é imperativo que sua memória e seu trabalho sejam celebrados e perpetuados por diferentes meios.

Com uma trajetória marcada pela luta contra a fome e as desigualdades sociorraciais. A escritora retrata em suas obras a vida nas favelas e as dificuldades enfrentadas pela população pobre e negra para sobreviver. A vida de Carolina apresentou desafios também após se tornar best-seller literário, a escritora saiu de Santana, em 1964, para morar em um sítio em Parelheiros devido a dificuldades econômicas, que a levaram de volta ao trabalho como catadora de papel já em 1966. O sistema foi duro com Carolina, que viu seu reconhecimento desaparecer tão rápido quanto veio, mesmo que tenha logrado, por um tempo curto, um deslocamento social oposto ao determinado às mulheres negras, saindo da invisibilização social, quando dedicou-se a publicar sua literatura.

Nesse sentido e na perspectiva de ampliar o legado deixado pela “Bitita” inscrevê-la no Livro de Heróis e Heroínas da Pátria - proposto por este Projeto de Lei, busca consagrar Carolina, sua literatura e arte, como cânone brasileira e desafiar o esquecimento das obras e contribuições da escritora para o brasil. Por isso, pleiteamos a devida honra à Carolina Maria de Jesus nos espaços de memórias institucionais, por representar a identidade coletiva da população negra através de seus escritos e outras expressões artísticas, por ser narradora da sua própria existência, que traduziu o Brasil para os brasileiros e propiciou aos seus leitores o desejo pela mudança ao conectar a literatura à vida das pessoas.

Carolina Maria de Jesus é candidata a Heroína da Pátria Brasileira, conforme o Projeto de Lei 773/2024, que propõe a inclusão de seu nome no "Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria", também conhecido como "Livro de Aço". Esse livro está localizado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, Distrito Federal, e tem como objetivo homenagear brasileiros e brasileiras que contribuíram de forma notável para a história do país.

  • Autoria: Deputada Erika Hilton
  • Ementa: Inscreve Carolina Maria de Jesus, escritora, catadora e multiartista, no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.


Registro atualizado em 02/05/2026 17:31, visualizado 150 vezes.