O "Livro de Aço - Heróis e Heroínas do Brasil" é uma obra que reúne o nome de brasileiros e brasileiras ilustres, considerados heróis e heroínas por suas contribuições significativas para o país.
Após conhecer a história desse Candidato a Herói da Pátria, não perca a oportunidade de visitar Símbolos Municipais e conhecer o brasão, a bandeira e o hino dos 5.571 munícipios brasileiros.
Nascido em Maranguape, Ceará, em 12 de abril de 1931, Chico
Anysio demonstrou desde cedo forte vocação para o humor e a imitação de
tipos humanos. Filho de um próspero empresário do ramo de transportes que
perdeu as posses quando da destruição de sua frota de ônibus em um
incêndio, foi forçado a se mudar para o Rio de Janeiro, aos 7 anos, junto com a
mãe e os três irmãos, indo morar em uma pensão pobre no bairro do Catete.
Iniciou ainda jovem no mundo das artes e do entretenimento. Aos 17
anos foi contratado como locutor e radioator de novelas na Rádio Guanabara,
abandonando para sempre a carreira de advogado criminalista que sonhava
em perseguir, motivado pela paixão por livros de detetive. Posteriormente,
passou também a escrever roteiros para programas de humor, além de atuar
como comentarista esportivo, compondo, posteriormente, o rol dos mais
ilustres vascaínos do País.
Como vocação é algo imperativo, Chico Anysio logo teve sua
carreira direcionada para o humor. Ainda no rádio, atuou em shows ao vivo
junto a nomes como Grande Otelo, Nádia Maria e Haroldo Barbosa, além de
redigir e dirigir diversos programas de entretenimento e música, a exemplo de
A Rainha Canta, com Ângela Maria, entre outros.
Em 1952, junto a Haroldo Costa, na rádio Mayrik Veiga, Chico
Anysio criou aquela que foi uma das maiores vitrines do humor e do
entretenimento brasileiro de todos os tempos para humoristas em busca de
oportunidade: A Escolinha do Professor Raimundo.
Originalmente, o quadro contava com apenas três estudantes: o
sabido, interpretado por Afrânio Rodrigues, o burro, papel de João Fernandes,
e o esperto, Zé Trindade.
Devido ao grande sucesso no rádio, contudo, A Escolinha – como a
atração passou a ser carinhosamente chamada pelos expectadores –, estreou
na TV em 1957, no programa Noites Cariocas da extinta TV Rio. Nessa mesma
emissora, em 1959, Chico Anysio ganhou seu primeiro programa autoral
televisivo, o Só Tantã, pouco depois rebatizado de Chico Anysio Show. Nele, a
Escolinha do Professor Raimundo figurava como um dos quadros, ao lado de
vários outros. Essa foi a primeira grande oportunidade que o gênio humorístico
e já celebridade cearense, Chico Anysio, teve de criar e interpretar livremente
seus incontáveis personagens.
O programa Chico Anysio Show:
“Foi um sucesso retumbante! Mexeu com a vida do país. Os aviões e até as
sessões de cinema mudaram de horário. Foi a primeira vez que se viu coisa
semelhante no mundo, um só artista fazer um programa inteiro na televisão”1
.
A Escolinha do Professor Raimundo, que colocou nas bocas
brasileiras o bordão “e o salário... ó!”, passou ainda pelas emissoras Excelsior
e Tupi, até estabelecer-se em definitivo na TV Globo, em 1973, como atração
do show autoral Chico City e, posteriormente, como programa independente,
em 1990.2
A relevância de Chico Anysio para o humor brasileiro não se limita
ao virtuosismo com que criou e interpretou os 209 personagens que
dominaram o imaginário nacional e se inscreveram indelevelmente na história
do riso em nosso País: pai Painho, Salomé, Azambuja, Bento Carneiro, Capitão
Trovão, Professor Raimundo, Bozó, Alberto Roberto, Cascata, Coalhada,
Gastão, Jovem, Nazareno, Pantaleão, Roberval Taylor, Tim Tones e tantos
outros. Não se limita, igualmente, a ensinar para público e colegas que o
humorista é um camaleão artístico, um gênio criativo constantemente travestido
em cada um dos personagens que inventa. É Renato Aragão quem diz, “Chico
Anysio é uma instituição do humor brasileiro”, um homem a quem dezenas de
profissionais do humor devem toda uma vida de trabalho em rádio, TV e cinema. Artistas talentosos que ganharam do mestre um conselho, uma
participação especial, uma porta aberta para seu fantástico mundo do
espetáculo.
A falecida comediante Cláudia Jimenes, eterna Dona Cacilda da Escolinha do Professor Raimundo, quando da morte de Chico Anysio, ressaltou seu traço marcante de generosidade com amigos e colegas de profissão:
Chico não precisava trabalhar, se não quisesse. Mas dizia: ‘O que vou fazer com a velha guarda do humor? Essa gente tem que trabalhar’. E aí ele ficava batalhando para dar emprego a todo mundo. Não existiu no Brasil um artista maior que Chico Anysio. Era um ator que fazia comédia.
Ary Toledo, grande mestre dos palcos e da TV, pronunciou-se cirurgicamente quando da morte de Chico Anysio:
O Brasil perde o maior humorista de todos os tempos. É quase impossível que apareça um outro humorista nesse nível, nesse quilate. Ele deixa um legado muito difícil de ser igualado no humor brasileiro. Ele só não é o maior humorista do mundo porque nasceu no Brasil. Se nascesse nos Estados Unidos, certamente seria.
Este projeto de lei objetiva justamente resgatar ao eterno “amado mestre” Chico Anysio o reconhecimento de sua inigualável genialidade, grafando seu nome no mesmo aço que abriga solenemente Machado de Assis, Euclides da Cunha, Carlos Gomes, Heitor Villa-Lobos, Ruy Barbosa e outros.
A obra de Chico Anysio está inscrita na identidade do humor artístico brasileiro e na nossa própria personalidade cômica. Se, a despeito de tantos males que nos cercam, ainda somos um povo de riso largo, farto e fácil, muito devemos a quem sempre nos fez rir com maestria: Mazzaropi, Grande Otelo, Ronald Golias, Dercy Gonçalvez, Juca Chaves, Jô Soares, Renato Aragão e, dentre todos, Chico Anysio.
Chico Anysio nos deixou em 23 de março de 2012, aos 80 anos de idade, na cidade do Rio de Janeiro, após falência múltipla dos órgãos.
Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho é candidato a Herói da Pátria Brasileira, conforme o Projeto de Lei 5.959/2023, que propõe a inclusão de seu nome no "Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria", também conhecido como "Livro de Aço". Esse livro está localizado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, Distrito Federal, e tem como objetivo homenagear brasileiros e brasileiras que contribuíram de forma notável para a história do país.
Registro atualizado em 04/05/2026 05:21, visualizado 136 vezes.