O "Livro de Aço - Heróis e Heroínas do Brasil" é uma obra que reúne o nome de brasileiros e brasileiras ilustres, considerados heróis e heroínas por suas contribuições significativas para o país.
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Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo nasceu no sobrado 119 da Rua da Imperatriz, no Recife, Pernambuco, no dia 19 de agosto de 1849. Era o quarto filho de José Tomás Nabuco de Araújo e de Ana Benigna de Sá Barreto. Seu pai, nascido em Salvador, mudou-se para o Recife onde estudou e tornou-se juiz criminal. Quando ainda tinha poucos meses, seu pai foi eleito deputado para o Parlamento Imperial. Três integrantes da família paterna, seu avô, seu tio-avô e seu pai foram senadores vitalícios do império.
Com poucos meses de vida, foi levado para a casa da família no Rio de Janeiro, mas logo foi deixado com seus padrinhos, Ana Rosa Falcão de Carvalho e Joaquim Aurélio Pereira de Carvalho, que viviam no Engenho Massangana, no município do Cabo de Santo Agostinho em Pernambuco. Viveu no engenho entre 1849 e 1857, onde aprendeu as primeiras letras com um professor particular que se deslocava do Recife para o engenho. Em seus primeiros oito anos, viveu cercado de escravos, o que lhe marcou profundamente. Posteriormente, rememora os primeiros contatos com os escravos no livro, “Minha Formação” (1909), como na história, ocorrida quando tinha sete anos, do jovem fugido que se ajoelhava a seus pés implorando-lhe que o comprasse para libertá-lo da crueldade do seu dono.
Em 1857, após a morte de sua madrinha, foi levado para a casa da família no Rio de Janeiro. Foi matriculado como interno no Colégio de Nova Friburgo. Em 1860, ingressou no Colégio Pedro II, onde permaneceu até 1865, sempre com excelentes notas em todas as matérias. Nessa época, publicou sua primeira poesia, a ode “O Gigante da Polônia”, dedicada a seu pai, que recebeu um comentário de Machado de Assis, que reconheceu o valor do poeta. Em 1866, foi para São Paulo e ingressou na Faculdade de Direito, que era um dos principais centros liberais e abolicionistas do Brasil Imperial. Passou a conviver com jovens que marcariam a história do país, como Rodrigues Alves e Afonso Pena, mais tarde presidentes da República. Manteve intensa atividade nos grêmios político-literários e nos jornais que agitavam a vida acadêmica. Datam desses anos as primeiras manifestações do liberalismo progressista que seria sua ideologia política. Aos 18 anos fundou “A Tribuna Liberal”. Nessa mesma época, foi eleito presidente da associação estudantil Ateneu Paulistano. Em 1869, transferiu-se para a Faculdade de Direito, do Recife, onde colou grau em 1870. No último ano do curso defendeu, no júri, um escravo que embora condenado à prisão perpétua escapou da pena de morte.
A partir daí, começou a atuar no escritório do pai e a se dedicar à publicação de seus primeiros livros. Atuou também no jornalismo, com artigos para os periódicos “A Reforma” e “A Época”, este fundado por Machado de Assis, e folhetins dominicais para “O Globo”. Entre 1873 e 1874, com os recursos da herança da madrinha, viajou para a Europa, onde conheceu importantes intelectuais e políticos do continente. Sem perspectiva de uma eleição parlamentar, em 1876, contou com a ajuda do pai e ingressou na carreira diplomática como adido em Washington e depois foi transferido para Londres. Em 1878, com a morte do pai, retornou ao Rio de Janeiro e trocou a vida diplomática pela advocacia. No mesmo ano, com a volta dos liberais ao poder, candidatou-se à Câmara, sendo eleito Deputado Geral da Província. Como deputado, defendeu a eleição direta, a presença de não católicos ao Parlamento e a imediata abolição da escravatura.
Na luta pela abolição, transformou sua casa, na praia do Flamengo, em uma Sociedade Brasileira Contra a Escravidão, lançou um manifesto e fundou o jornal “O Abolicionista”. Viajou a Lisboa, Madri, Paris e Londres, onde recebeu homenagens e incentivo à luta abolicionista. De volta ao Brasil, candidatou-se de novo ao Parlamento, mas foi derrotado. De 1882 a 1884 exilou-se voluntariamente em Londres, onde escreveu “O Abolicionismo” (1884). Em 15 de julho de 1884, o Gabinete liberal Sousa Dantas, apoiado por ele, propõe uma série de medidas que visavam à extinção gradual da escravidão. Em 1885 foi promulgada a Lei dos Sexagenários. De volta ao Brasil, elegeu-se deputado por Pernambuco em 1885, e enpenhou-se na campanha pela adoção de uma monarquia federativa, sob a regência da Princesa Isabel. Em discurso na Câmara condenou a utilização do Exército na perseguição dos escravos fujões. O gabinete do conservador Barão de Cotegipe caiu em 10 de março de 1888, e assumiu João Alfredo, que tinha a missão de propor a abolição, contando inclusive com os desejos da Princesa Isabel. Lutando pelo projeto abolicionista, encaminhou as medidas de urgência, até que no dia 13 de maio a Lei Áurea foi assinada.
Manteve uma relação complicada com Eufrásia Teixeira Leite, que conheceu quando ela estava com 12 anos e ele com 13. Depois de se corresponderem por dois anos, ele parou de escrever. Oito anos depois eles se reencontraram em um recital de poesia no Rio de Janeiro, os dois viajaram juntos para a Europa. Depois de idas e vindas, o plano de casamento não vingou. Ficou solteiro até os 39 anos. Por fim, no dia 23 de abril de 1889, casou-se com a jovem Evelina Torres Soares Ribeiro, filha do barão de Inoã, fazendeiro fluminense. Depois de casados, foram residir em Paquetá. O casal teve cinco filhos: Carolina (1890), Maurício (1891), Joaquim (1894), Mariana (1895) e José Tomás (1902).
Nos últimos anos de sua atividade parlamentar, fez um discurso profético: “O honrado presidente do Conselho, Visconde de Ouro Preto, deve inspirar-se em seu patriotismo para que o seu Ministério não possa ser, em caso algum, o último da monarquia”. Alguns dias depois, a 15 de novembro de 1889, proclamava-se a República do Brasil. Recebeu a notícia da proclamação quando estava em sua casa na ilha de Paquetá, para onde se mudara. Nos primeiros anos da República, tentou, através do Jornal do Brasil, debater ideias políticas e criticar o novo regime, porém, afastou-se de toda atividade política.
Foi convidado para chefiar uma delegação brasileira a Londres, em 1899 e, em nome do presidente da República, Campos Sales, defender perante a Coroa britânica a causa dos limites entre o Brasil e a Guiana Inglesa. Em 1904, foi nomeado embaixador brasileiro nos Estados Unidos, onde proferiu várias conferências, nas universidades, sobre a cultura brasileira. Tornou-se amigo pessoal do presidente Theodore Roosevelt. Em 1906, voltou ao Rio de Janeiro, para presidir a III Conferência Pan-Americana, em companhia do Secretário de Estado norte-americano Elihu Root.
Voltou ao Brasil em 1906, sendo recebido festivamente. No Recife, sua passagem foi uma consagração popular. O Teatro Santa Isabel, onde tantas vezes falara, estava repleto para recebê-lo, momento em que pronunciou a frase que hoje figura inscrita em pedra, numa das paredes da plateia: “Aqui nós ganhamos a causa da Abolição”. Voltou para os Estados Unidos, onde reassumiu seu posto de embaixador. Embora doente, surdo e com problemas no coração, lutou pela ideia pan-americana, na embaixada, nas conferências e nas universidades.
Faleceu em Washington, Estados Unidos, no dia 17 de janeiro de 1910. Seu corpo foi transportado para o Brasil a bordo de um cruzador americano e levado para o Recife, onde foi enterrado. Em 1949 foi criada a Fundação Joaquim Nabuco, com o objetivo de preservar o legado histórico do grande abolicionista.
Em 02/06/2014, Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo foi declarado Herói da Pátria Brasileira pela Lei Federal nº 12.988 (Projeto de Lei 5.861/2013 ), tendo o seu nome inscrito no "Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria", também conhecido como "Livro de Aço". Esse livro está localizado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, Distrito Federal, e tem como objetivo homenagear brasileiros e brasileiras que contribuíram de forma notável para a história do país.
Registro atualizado em 19/11/2025 03:07, visualizado 280 vezes.