O "Livro de Aço - Heróis e Heroínas do Brasil" é uma obra que reúne o nome de brasileiros e brasileiras ilustres, considerados heróis e heroínas por suas contribuições significativas para o país.
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José Celso Martinez Corrêa (Zé Celso), figura entre os maiores fazedores de arte e cultura do nosso país. O criador do tropicalismo no teatro, nasceu em 1937, na cidade de Araraquara, interior paulista. Reconhecido pela excentricidade, ousadia e criticidade na condução de suas peças de teatro, principalmente por provocar e interagir com a plateia, pregava uma arte transgressora, livre de estrangeirismos e pudores, tornou-se, por fim, o maior nome da dramaturgia nacional. Reconhecido promotor cultural, enfrentou a ditadura militar e o exílio. Dentre as muitas revoluções culturais que promoveu, participou e deu substância a criação do Teatro Oficina, na capital paulista. Zé Celso fez dos palcos e da luta pela cultura estandarte de reconhecimento de suas genialidades, foi um potente provedor de disputa da memória coletiva da cidade, como a disputa por criar o Parque do Rio Bixiga.
Estudou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, onde participou do Centro Acadêmico XI de Agosto durante seu período universitário, fundando o Grupo de Teatro Amador Oficina, no final da década de cinquenta, quando deu início a sua carreira. Foi nessa instituição que seus primeiros textos foram encenados, como o “Vento Forte para Papagaio Subir” (1958) e a “A Incubadeira” (1959).
Zé Celso se profissionalizou junto com o Oficina, na década de sessenta, quando a sede do grupo se transferiu para o teatro da Rua Jaceguai, no centro da capital paulista. Em 1963, ele dirigiu “Pequenos Burgueses”, de Máximo Gorki, que obteve um sucesso e reconhecimento estrondoso e rendeu a Zé Celso diversos prêmios.
Na vanguarda, Zé Celso também ficou conhecido por levar o modernismo e o tropicalismo para a dramaturgia brasileira. Criou uma arte experimental, política e sensorial, compondo diálogos com seu tempo e outras manifestações artísticas, tanto na música, na poesia e no audiovisual, sempre guiado pela realidade política e cultural do país.
Na ditadura, Zé Celso e outros integrantes do Teatro Oficina foram perseguidos pelo regime militar. Denunciou que sofreu torturas pelo Dops, foi pendurado em um pau de arara, recebendo choque no corpo todo. Contou que ficava repetindo as peças que sabia como forma de não enlouquecer. Exilou-se em Portugal, depois de ficar detido por uns dois meses.
A companhia Teatro Oficina é considerada uma das mais longevas em atividade no Brasil, fruto do intenso e brilhante trabalho de Zé Celso em defesa da cultura, do teatro e do direito à cidade. Em 1983, o prédio do Teatro Oficina foi tombado como patrimônio histórico pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, por sua importância histórica ao teatro brasileiro. A construção foi projetada pela arquiteta Lina Bo Bardi, que também assina o projeto do Museu de Arte de São Paulo (Masp).
Em sua trajetória, das grandes lutas que travou dizem respeito ao direito à cidade, à memória e à cultura. Em São Paulo, organizou movimentações políticas e urbanas para a criação do Parque Rio Bixiga.
Antes de morrer ele estava se dedicando à peça “Mutação de Apoteose”,
adaptação da obra “A Queda do Céu”, do xamã ianomâmi Davi Kopenawa e do
antropólogo Bruce Albert.
José Celso Martinez Corrêa é candidato a Herói da Pátria Brasileira, conforme o Projeto de Lei 3.482/2023, que propõe a inclusão de seu nome no "Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria", também conhecido como "Livro de Aço". Esse livro está localizado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, Distrito Federal, e tem como objetivo homenagear brasileiros e brasileiras que contribuíram de forma notável para a história do país.
Registro atualizado em 03/05/2026 15:23, visualizado 127 vezes.