O "Livro de Aço - Heróis e Heroínas do Brasil" é uma obra que reúne o nome de brasileiros e brasileiras ilustres, considerados heróis e heroínas por suas contribuições significativas para o país.

Herói da Pátria

Livro de Aço
Livro de Aço
Livro de Aço

Luiz Gonzaga do Nascimento

Luiz Gonzaga


(1912-1989)


Cantor, compositor, músico e sanfoneiro


Após conhecer a história desse Herói da Pátria, não perca a oportunidade de visitar Símbolos Municipais e conhecer o brasão, a bandeira e o hino dos 5.571 munícipios brasileiros.



Luiz Gonzaga nasceu na Fazenda Caiçara, em Exu, Sertão de Pernambuco, no dia 13 de dezembro de 1912. Era filho de Januário José dos Santos, o mestre Januário, "sanfoneiro de 8 baixos", e de Ana Batista de Jesus. O casal teve oito filhos. Desde menino, pegava na enxada, mas preferia ficar olhando o pai tocar sua sanfona. Logo aprendeu a tocar e animar as festinhas da região.

Cresceu ajudando o pai na roça e na sanfona, mas também fazia pequenos serviços para os fazendeiros da região. Era protegido do Coronel Manuel Aires de Alencar e de suas filhas, e com elas aprendeu a ler, escrever e falar correto. Aos 13 anos, com o dinheiro que juntou, mais o emprestado pelo coronel, foi para Ouricuri e comprou sua primeira sanfona. O primeiro dinheiro que ganhou foi tocando em um casamento, ali sentiu que a música era seu destino.

Em 1929, com 17 anos, por causa de um namoro proibido pela família da moça, e de uma surra que levou da mãe, fugiu para o mato. Mas a fuga maior foi quando deixou sua casa para ir a uma festa no Crato, no Ceará. Vendeu sua sanfona e foi para Fortaleza, onde buscava no Exército, uma vida melhor. Com a Revolução de 30, viajou pelo país. Era o corneteiro da tropa. Em 1933, servindo em Minas Gerais, não entrou para a orquestra do quartel, pois não sabia a escala musical. Mandou fazer uma sanfona e decidiu ter aulas com Domingos Ambrósio, famoso sanfoneiro de Minas. Transferido para Ouro Fino, sul de Minas, tocou pela primeira vez em um clube.

Em 1939, deixou o Exército, foram nove anos sem dar notícias à família. Enquanto esperava o navio para voltar para Pernambuco, ficou no Batalhão de Guardas do Rio de Janeiro, quando um soldado o aconselhou a ganhar dinheiro tocando na cidade. Logo, estava tocando nos bares do Mangue, nas docas do porto e nas ruas, em busca de trocados. Acabou sendo convidado a tocar nos cabarés da Lapa. Nessa época, seu repertório era o exigido pelo público: tangos, fados, valsas, foxtrotes etc. Nesse ritmo fez sua primeira tentativa no rádio, em programa de calouros de Silvino Neto e Ary Barroso, mas sua nota não passava de 3.

Em 1940, um grupo de estudantes cearenses que estudavam no Rio o aconselhou a tocar as músicas dos sanfoneiros do sertão nordestino. Ao participar de um programa de calouros do rádio, tocando “Vira e Mexe”, ganhou nota 5 e o prêmio de primeiro lugar. Certo dia, foi procurado por Januário França para acompanhar Genésio Arruda numa gravação. Se saiu tão bem que foi convidado pelo diretor artístico da RCA, Ernesto Morais, para gravar um disco.

No dia 14 de março de 1941, gravou dois discos como solista de sanfona. No primeiro: a mazurca Véspera de São João e Numa Seresta. No segundo: Saudade de São João del Rei” e “Vira e Mexe, um chamego de sua autoria. Durante cinco anos, gravou cerca de setenta músicas, das quais apenas 10 eram “chamegos”. Fez carreira no rádio e começou a luta para cantar e gravar as músicas nordestinas. Fez parceria com Miguel Lima, que colocava letras em suas músicas, mas só em 11 de abril de 1945 gravou seu primeiro disco como sanfoneiro e cantor com a música Dança Mariquinha.

Foi em busca de um parceiro nordestino e conheceu o advogado cearense Humberto Teixeira, era o início de uma parceria que durou cinco anos. Lançou músicas com versos simples, impregnado de modismos nordestinos. Sua música agora, era acompanhada de sanfona, triângulo e zabumba. Entre os sucessos da parceria, destacam-se: Baião, Asa Branca, Kalu, Paraíba, Assum Preto etc.

A música “Asa Branca” foi um dos primeiros grandes sucessos nacionais de Luiz Gonzaga. O disco original foi lançado pela RCA, no dia 3 de março de 1947. Segundo Luiz Gonzaga, a música nasceu como toada, com raízes folclóricas. Com letra de Humberto Teixeira e música de Luiz Gonzaga, Asa Branca retrata o sofrimento do povo do Sertão do Nordeste brasileiro diante da seca que assola a região. Asa Branca fez muito sucesso e foi gravada por diversos cantores, entre eles, Dominguinhos, Sérgio Reis e Baden Pawell.

Depois de longos anos, voltou para sua terra natal. Foi para o Recife e se apresentou em vários programas de rádio, sempre vestido com um gibão de couro, chapéu de vaqueiro e óculos escuro estilo Ray Ban aviador. Em 1949 levou sua família para morar no Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, voltou ao Recife, quando conhece o médico Zé Dantas, que sabia cantarolar todas as suas músicas. Foi o início de uma parceria que lançou os sucessos: Vem Morena, A Dança da Moda, Cintura Fina e A Volta da Asa Branca. Entre 1948 e 1954, morou em São Paulo, de onde viajava para todo o país. O seu sucesso não parou mais. Em 1980, cantou para o Papa João Paulo II, em Fortaleza. Convidado pela cantora amazonense Nazaré Pereira, se apresentou em Paris. Recebeu o prêmio Nipper de ouro e dois discos de ouro com "Sanfoneiro Macho".

Teve um relacionamento com a cantora e dançarina Odaléia Guedes dos Santos. Em 1945, desse relacionamento, nasceu Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, conhecido como Gonzaguinha, que ficou órfão de mãe com dois anos de idade. Em 1948, casou-se com a pernambucana Helena Neves Cavalcanti e juntos, criaram Gonzaguinha e adotaram a menina Rosa Gonzaga.

Lutou durante seis anos contra um câncer de próstata. No dia 21 de junho de 1989, foi internado no Recife, Pernambuco, no Hospital Santa Joana, já bastante debilitado. No dia 2 de agosto de 1989 faleceu vítima de uma parada cardíaca. O caixão com o corpo foi levado, em cima de um carro de bombeiro, para a Assembleia Legislativa, onde foi velado por uma multidão de admiradores. Em seguida, foi levado para ser sepultado em Exú, sua terra natal. Em 2007, recebeu a "Ordem do Mérito Cultural. Em 2012, quando se comemorou 100 anos do nascimento, foi lançado o filme "De Pai Para Filho", narrando a relação conflituosa entre Gonzaga e Gonzaguinha. O artista recebeu várias homenagens em todo o país.

Em 05/01/2024, Luiz Gonzaga do Nascimento foi declarado Herói da Pátria Brasileira pela Lei Federal nº 14.793 (Projeto de Lei 1.927/2019 ), tendo o seu nome inscrito no "Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria", também conhecido como "Livro de Aço". Esse livro está localizado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, Distrito Federal, e tem como objetivo homenagear brasileiros e brasileiras que contribuíram de forma notável para a história do país.

  • Autoria: Senador Jarbas Vasconcelos
  • Ementa: Inscreve o nome de Luiz Gonzaga do Nascimento no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria


Registro atualizado em 19/11/2025 02:48, visualizado 314 vezes.