O "Livro de Aço - Heróis e Heroínas do Brasil" é uma obra que reúne o nome de brasileiros e brasileiras ilustres, considerados heróis e heroínas por suas contribuições significativas para o país.

Candidato a Herói da Pátria

Livro de Aço
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Sebastião Ribeiro Salgado Júnior

Sebastião Salgado


(1944-2025)


Fotógrafo documental e fotojornalista brasileiro


Após conhecer a história desse Candidato a Herói da Pátria, não perca a oportunidade de visitar Símbolos Municipais e conhecer o brasão, a bandeira e o hino dos 5.571 munícipios brasileiros.



Sebastião Ribeiro Salgado Júnior, mineiro da pequena cidade de Aimorés, no Vale do Rio Doce, é um desses nomes. Mestre em Economia pela USP e doutor em Economia pela Universidade de Paris, Salgado trabalhou por alguns anos na Organização Internacional do Café, fazendo frequentes viagens ao continente africano, que lhe despertaram o desejo de documentação fotográfica das complexas e duras realidades testemunhadas. Entre o começo na profissão, ainda como freelancer para a agência Sgyma, em Paris, até criar sua própria agência, a Amazonas Imagens, em 1994, o fotógrafo-economista brasileiro transitou por grandes agências, como a Gamma e a Magnun, publicando fotografias avulsas de destaque, como as que lhe deram notoriedade internacional ao registrar a tentativa de assassinato a tiros do então presidente dos Estados Unidos da América, Ronald Reagan, em 1981.

De caráter monográfico, marcado pelo uso indefectível de luzes e sombras em fotografias em preto e branco, o trabalho de Sebastião Salgado tornou-se mundialmente conhecido em virtude da publicação de grandes séries e projetos documentais fotografados em mais de setenta países, no decorrer de várias décadas:

- Outras Américas (1986): série fotográfica realizada durante sete anos sobre os povos indígenas da América Latina. “Com sua estética que se propõe a serviço da militância ética, Sebastião Salgado cria uma narrativa visual que muitas vezes obriga o leitor a constatar: é indiscutível a beleza das fotos, mas é terrível o mundo que elas retratam”;

- Sahel: LHomme en détresse (1986): obra patrocinada pela ONG Médicos Sem Fronteiras, que documenta a seca e a fome na região africana do Sahel;

- An Uncertain Grace (1990): retrato da vida e da cultura em diferentes comunidades de vários países, com texto de Eduardo Galeno e Fred Ritchin;

- Kuwait: a desert on fire (1991): publicada originalmente pela revista New York Times, é a cobertura fotográfica em tempo real do catastrófico incêndio provocado pelas forças de Sadam Hussein nos poços de petróleo do Kuwait em retaliação aos ataques da coalização militar chefiada pelo exército dos Estados Unidos da América;

- Trabalhadores. Uma arqueologia da era industrial (1993): documentação visual de trabalhos manuais antecessores e sobreviventes à Revolução Industrial – espécie de elegia às tradições e à coragem e dignidade de trabalhadores e trabalhadoras expostos às condições mais terríveis de trabalho. Nas palavras do próprio Salgado: “Este livro é uma homenagem aos trabalhadores, um adeus ao mundo do trabalho manual, que está lentamente desaparecendo”;

- Terra (1997): fotografias realizadas no Brasil “de pessoas de algum modo desterradas: trabalhadores rurais, mendigos urbanos, presos, garimpeiros, crianças de rua”;

- Serra Pelada (1999): série documental sobre o grande garimpo de Serra Pelada, no Estado do Pará, retratando as condições do trabalho (des)humano na corrida pelo ouro. “Hoje, a corrida do ouro mais selvagem do Brasil é apenas uma lenda, mantida viva por algumas lembranças felizes, muitos arrependimentos dolorosos – e as fotografias de Sebastião Salgado”;

- Êxodus (1999): projeto que visa documentar a humanidade em trânsito: a fuga dos migrantes, dos refugiados e das pessoas deslocadas em diferentes pontos do planeta; a tragédia do continente africano; o êxodo rural, os conflitos de terra e a urbanização caótica da América Latina; e as novas megalópoles asiáticas. Uma extensa série fotográfica pautada nas premissas de que a humanidade é uma só, não importa onde, de que as grandes ideologias do século XX fracassaram e de que é preciso criar um novo sistema de coexistência entre os homens enquanto ainda há tempo;

- O Fim da Pólio (2003): série documental fotografada em cinco países de poliomielite endêmica – República Democrática do Congo, Índia, Paquistão, Somália e Sudão –, que objetiva registrar os esforços no âmbito da Iniciativa Global para a Erradicação da Poliomielite, dando destaque aos impactos da vacinação;

- África (2007): com textos de Mia Couto, importante escritor moçambicano, a obra retrata a vida em três regiões da África: Sul, Grandes Lagos e Subsaariana, trazendo à reflexão os efeitos da colonização sobre a história do continente;

- Gênesis (2013): “resultado de uma expedição épica de oito anos para redescobrir as montanhas, desertos e oceanos, os animais e povos que até agora escaparam da marca da sociedade moderna — a terra e a vida de um planeta ainda intocado”;

- Crianças (2016): Uma complementação da série Êxodus, a obra volta-se aos pequenos deslocados, crianças e adolescentes ao largo das rodovias de Angola e Burundi ou de campos de refugiados no Líbano e no Iraque;

- Amazônia (2021): registro fotográfico feito no decorrer de seis anos de viagens à região amazônica, retratando a floresta e seus encantos – fauna, vegetação, povos - “um tesouro insubstituível da humanidade”.

A autoralidade inconfundível da fotografia de Sebastião Salgado transborda uma estética militante, profundamente ética e não hedônica, que retrata o belo não apenas no que apraz, em situações onde a beleza é por si óbvia e confortante. A estética que a magnífica lente do artista mineiro oferece ao mundo não comporta outros filtros que não a realidade em si. A beleza da verdade que descortina – despida de cenários, arranjos, floreios e artifícios – e a sensibilidade de um espírito humanitário hiperbólico fazem de Salgado um gênio ímpar na arte de tocar o mais humano em nós por meio de uma fotografia que documenta com igual maestria o sublime e o abjeto, a felicidade e a dor, a vida e a morte.

O talento e a obra de Salgado foram reconhecidos e condecorados com algumas das mais importantes premiações e honrarias do mundo, não apenas no campo da fotografia e do fotojornalismo, mas também das artes visuais e das humanidades em geral. Alguns exemplos são os prêmios: Príncipe de Astúrias das Artes; Eugene Smith de Fotografia Humanitária; World Press Photo; Jabuti; The Olivier Rebbot Award; Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão; Chevalier de lordre du Mérite Culturel de Monaco; Comendador da Ordem de Rio Branco; International Award of The Photographic Society of Japan; Medaglia della Presidenza della Repubblica Italiana; Centenary Medal and Honorary Fellowship of The Royal Photographic Society of Great Britain; Leica Oskar Barnack Prize, entre outros.

Primeiro brasileiro a se tornar imortal na Academia de Belas Artes de Paris, ocupando a cadeira n° 1, Salgado foi designado membro estrangeiro honorário da Academia de Artes e Ciências dos Estados Unidos, Embaixador da Boa Vontade do Unicef e Doutor Honoris Causa pela Universidade de Harvard e pelas universidades federais do Espírito Santo e do Acre.

Vida e obra de Sebastião Salgado foram documentados na película O Sal da Terra, dirigida pelo consagrado cineasta alemão Wim Wenders e pelo cineasta brasileiro Juliano Salgado, filho de Sebastião. Esse documentário, além de indicado ao Oscar de melhor documentário, foi agraciado com o prêmio Un Certain Regard, no Festival de Cannes (2014), o prêmio francês César de melhor documentário (2015), o Platino Award for Best Documentary (2015) e o Grande Prêmio Brasileiro de Melhor Longa-Metragem Internacional (2016).

A fundação do Instituto Terra e a impressionante e emocionante recuperação florestal empreendida por Sebastião Salgado e sua esposa Lélia Deluiz Wanick Salgado em uma antiga fazenda de Aimorés, MG, que resultou no plantio de cerca de quatro milhões de mudas de espécies nativas da flora local e no surgimento de uma densa e biodiversa floresta onde antes só havia devastação. De maneira heroica e ascética, o sonho de restituir a cobertura florestal perdida na região tornou-se realidade e é, hoje, um exemplo vivo para governos e particulares de todo o mundo de que é possível mudar o rumo das coisas quando se tem vontade, amor, abnegação e fé no que se faz.

Como dizem os companheiros do Instituto Terra, a lente de Sebastião Salgado “revelou o mundo e suas contradições; sua vida, o poder da ação transformadora”.

Sebastião Salgado faleceu aos 81 anos, em Paris, no dia 23 de maio do ano corrente, em virtude de uma leucemia decorrente de complicações de uma contaminação anterior por malária, na Indonésia.

Sebastião Ribeiro Salgado Júnior é candidato a Herói da Pátria Brasileira, conforme o Projeto de Lei 2.578/2025, que propõe a inclusão de seu nome no "Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria", também conhecido como "Livro de Aço". Esse livro está localizado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, Distrito Federal, e tem como objetivo homenagear brasileiros e brasileiras que contribuíram de forma notável para a história do país.

  • Autoria: Mário Heringer
  • Ementa: Dispõe sobre a inscrição do nome de Sebastião Ribeiro Salgado Júnior no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.


Registro atualizado em 06/05/2026 01:34, visualizado 109 vezes.